sexta-feira, 23 de agosto de 2013

"O Segredo de Jasper Jones" - Craig Silvey

Numa noite, durante o intenso verão de 1965, Charlie Bucktin é acordado pela visita de Jasper Jones, o pária da pequena cidade de Corrigan, na Austrália. Seduzido pela rebeldia de Jasper, Charlie o acompanha e acaba descobrindo um crime. O segredo, compartilhado entre dois garotos tão diferentes, desperta em Charlie um turbilhão de dúvidas a respeito dos conceitos de verdade e mentira. Neste romance de crescimento, o menino franzino de 13 anos, leitor voraz, reflete sobre os acontecimentos por meio de referências a clássicos do gênero.



A magia do livro começa já por sua capa, na qual consta um pêssego e esse pêssego é o início de toda a história, porque o pessegueiro fica numa casa da vizinhança que todo mundo tem medo e quem consegue um pêssego de lá é considerado "valente" pelos outros. Charlie, o protagonista, sempre quis um pêssego pra ele. Jasper Jones, por sua vez, era o menino malvado da qual Charlie sempre ouvira falar que devia manter distância de. E ele sempre manteve, pois seu melhor amigo era o vietnamita Jeffrey Lu, um pequeno nerd viciado em críquete. O enredo gira em torno do tal segredo que Jasper acha que só pode compartilhar com Charlie e por isso bate na sua janela durante a madrugada. Por algum motivo que Charlie nunca entendeu, ele segue Jasper e acaba se metendo em uma encrenca enorme, porque o segredo é bem difícil de ser resolvido. Enquanto isso, há as peripécias familiares, as dificuldades com a amizade de Jeffrey - que é meu personagem favorito da história, por ter tiradas ótimas e ser super alto astral - e seu primeiro amor. 

A história acaba por desenvolver-se em um emaranhado de pequenas etapas que juntas formam uma obra sensacional. É um livro muito fácil e rápido de ser lido e que contém inúmeras frases marcantes e que causa reflexões e boas sensações sobre a vida em geral. A narração em primeira pessoa aumenta o tom intimista da história, fazendo com que os personagens virem nossos amigos e façam falta quando têm que se despedir. Além disso, ela também simboliza uma contação de histórias feita pelo próprio Charlie, que descobre ao longo da história que quer ser escritor e isso faz com que a narrativa seja ainda mais delineada e fácil de acompanhar.

"O Segredo de Jasper Jones" é, portanto, um bom livro para se ler em um dia. Principalmente se for um dia em que você está acabrunhado e precisando de algo para dar um ânimo a mais na vida. Com certeza ele vai te deprimir em alguns momentos, mas quando a leitura se encerra e você consegue olhar a história como um todo vista de fora, você percebe que aquilo te fez muito mais bem do que mal e que você aprendeu muito mais do que teria aprendido caso tivesse desperdiçado seu tempo com alguma outra coisa.


Craig Silvey nasceu em 1982 e "O Segredo de Jasper Jones" é sua segunda obra publicada. O autor é um dos poucos contemporâneos australianos que tiveram visibilidade internacional, nem chegando aos pés de Markus Zusak que teve vários livros com visibilidade internacional, sendo seu mais famoso "A Menina que Roubava Livros"  - que vai ganhar um filme em breve!

Silvey, porém, conseguiu certa visibilidade tendo "O Segredo de Jasper Jones" traduzido para 30 países diferentes. Ele já escreveu três outros livros, mas nenhum deles teve versão traduzida para o português. Além de escritor, Silvey também é cantor e compositor da banda "The Nancy Sikes". Ele tem uma página no facebook, administrada por outras pessoas, mas com algumas publicações feitas por ele mesmo e sinalizadas com "CS".



P.S.: Eu já fiz uma vídeo-resenha sobre esse livro no meu canal pessoal, quando li pela primeira vez há um ano!


domingo, 18 de agosto de 2013

Não se esqueçam dos Coalas!

Quando ouvimos falar de Austrália três coisas vêm à nossa mente:

1 - Cangurus
2 - P. Sherman, 42, Wallaby Way - Sidney
3 - Aquele filme gigante e parado com o Hugh Jackman e a Nicole Kidman

O que a gente esquece é que se trata de um país gigante, que fica na Oceania e tem por capital Camberra - mesmo todo mundo jurando que é Sidney. A gente não sabe que além dos cangurus, o país também é conhecido por seus coalas e que na capital não há outdoors e ela parece muito mais interiorana do que Sidney, não fazendo jus ao seu papel de capital. Poucos sabem também que mesmo sendo um país com dimensões continentais, localizado do outro lado do mundo, Austrália é governada pela família real britânica até hoje. Tendo em vista que foi colonizada pela Inglaterra, que depois lutou com a Holanda pela totalidade do território e passou a usá-lo para enviar presos de guerra e semelhantes, afim dos mesmos colonizarem a terra e se reproduzirem com os aborígenes, para torná-la mais civilizada. Funcionou, hoje o país é bastante próspero em sua indústria e tem ótimos índices de educação, saúde, longevidade e desenvolvimento humano, além de ter conseguido garantir sua liberdade econômica. 

Como sendo uma colônia, é possível estabelecer várias semelhanças históricas entre Brasil e Austrália, como a dependência inicial da metrópole, o uso do território para aumentar suas riquezas e como exílio a maus cidadãos, que deveriam repovoar e construir um novo mundo. Tais semelhanças também podem ser visualizadas na literatura que iniciou-se através de descrições do local, feitas pelos colonos para os colonizadores, além de ter herdado características da literatura de sua metrópole, fatos que também se fazem presente na literatura brasileira. 

Os australianos, após terem descrito seu território, aventuraram-se no universo da poesia, depois dos dramas teatrais e então do romance. Após chegarem ao impasse da poesia versus prosa e acabaram por se decidir como melhores proseadores, fazendo com que no século XX sua literatura tivesse mais ênfase, embora ainda sendo pouco conhecida e explorada.

É claro que com esse texto já está bem claro que o autor da semana é australiano e isso porque vamos falar sobre "O Segredo de Jasper Jones", um livro desconhecido, mas super legal!


A bandeira da Austrália contém uma estrela de sete pontas representando a Federação de Estados e Territórios, as cinco estrelas que representam o "cruzeiro do Sul" e simbolizam a localização da Austrália no Hemisfério Sul e uma pequena bandeira da Grã Bretanha, por ser pertencente a ela. Foi escolhida a partir de um concurso na qual 30 mil pessoas participaram e foi hasteada pela primeira vez em 1901!


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Impressões de Leitura: Mil Tsurus

Sinopse:

Kikuji Mitani é um jovem que, durante uma cerimônia do chá, reencontra duas antigas amantes de seu falecido pai, Chikako Kurimoto e a viúva Ota, e de repente se vê profundamente envolvido com elas. Enquanto Chikako tenta arranjar um casamento para Kikuji, este inicia um inesperado romance com a senhora Ota, que por sua vez tem uma filha chamada Fumiko, de quem Kikuji também irá se aproximar. Mas há ainda Yukiko, a delicada jovem pretendente a se casar com Kikuji, personagem que representa serenidade num ambiente repleto de ressentimentos e intrigas. Não é por acaso que a moça é descrita usando um lenço de seda ilustrado com tsurus, ave que simboliza nobreza e felicidade na tradição japonesa.



Este post, na verdade, não é uma resenha, já que está mais relacionado à minha experiência de leitura de Mil Tsurus, de Yasunari Kawabata, e pode sim conter spoilers.

Tive um sentimento muito dúbio durante toda a minha leitura de Mil Tsurus. De início, estranhei bastante a narrativa, que é bem fragmentada e objetiva, sem grandes floreios. Assim, mesmo os acontecimentos mais sensíveis são contados de uma maneira bastante crua, mas sem indelicadeza. O que eu não sei, na verdade, se seria um reflexo da cultura oriental.

A narrativa se dá no período seguinte à Segunda Guerra Mundial, mostrando um Japão que passa por um processo de ocidentalização. Para uma cultura já tão antiga, este foi um momento bastante trágico. Kawabata constrói em suas palavras esse ambiente tenso, mas sem deixar de lado as tradições japonesas, como a cerimônia do chá. Boa parte da história se desenvolve durante essas cerimônias, que deveriam ser um momento de tranquilidade, mas acabam sendo desconfortáveis para o jovem Mitani. 

Os acontecimentos passados durante as cerimônias do chá devem ser bem mais agradáveis para quem conhece melhor do que eu a cerâmica japonesa, já que o autor descreve muito bem e demonstra a importância de cada um dos artefatos utilizados nesse tipo de tradição. Como não conheço nada de cerâmica, muito menos japonesa, nesses momentos senti como se eu não estivesse sabendo apreciar o que Kawabata estava me oferecendo - e recorrer às notas de rodapé quebra muito o ritmo da leitura.
 
Logo no começo do livro, o jovem Mitani se lembra de uma deformidade que a mestre do chá Chikako, tem em um de seus seios. Para Kikuji, essa deve ser uma lembrança bastante dolorida, já que quando ele viu o seio de Chikako ainda era muito pequeno e foi em uma ocasião em que seu pai traía a sua mãe com a mestre do chá. 

A partir dessa lembrança de Kikuji, são desenroladas várias expressões do machismo oriental (não sei se da época ou se ainda atual, tentei conversar com pessoas que moraram no Japão, mas não souberam me responder com certeza) e, principalmente, da rivalidade entre as mulheres. A mestre Chikako foi amante do pai de Kikuji e, quando descoberta pelo menino, assumiu uma personalidade mais assexuada, mas não se afastou da família Mitani, o que não impediu que o senhor Mitani se envolvesse com a viúva Ota. 

Com o envolvimento entre o senhor Mitani e a senhora Ota, o relacionamento entre ele a mestre de chá realmente chega ao fim, o que abre espaço para uma eterna culpabilização da senhora Ota. Apesar de ter sido amante do senhor Mitani, também, Chikako condena o relacionamento dele com a senhora Ota o tempo todo, sem perder a oportunidade de tratá-la como uma pessoa inferior.

Cansada de tanta condenação, a senhora Ota acaba se suicidando (lembrando que esta é a minha interpretação), o que nos leva a vários olhares orientais muito poéticos sobre a morte e o respeito pelo morto. Pensando em correlação à declaração que o próprio autor deu sobre o suicídio, o olhar do leitor passa a ser direcionado, especialmente para a seguinte frase: "Por mais que as pessoas a condenassem, morrer não era a solução. Para nada. Morrer é apenas uma forma de rejeitar a compreensão dos outros."

Feitas todas essas observações bastante detalhadas, devo dar agora o meu veredito: Mil Tsurus é um livro muito bonito e poético. Mesmo que este não seja um livro lá muito instigante, a sua leitura vale muito a pena pela ambientação que Kawabata é capaz de criar e pelo próprio contato com uma cultura tão diferente da nossa, ainda que essas diferenças todas possam vir a dificultar um pouco o entendimento de algumas coisas, acredito que isso não afete a real compreensão de Mil Tsurus. 

Além disso, a edição da Estação Liberdade tem apenas 171 páginas, sendo que entre uma parte e outra (são cinco) há a separação de uma página inteira. A fonte o espaçamento também é bem grande. Essa combinação toda faz com que Mil Tsurus seja uma excelente leitura de um único dia.

domingo, 11 de agosto de 2013

TAG: Livros Opostos

Em primeiro lugar, preciso me retratar pelo desfalque e pelo atraso na edição. Então, amasianos, me desculpem.

Gravei mais um vídeo, desta vez, respondendo à tag "Livros Opostos", criada pelo Bruno Miranda do canal Minha Estante. No vídeo, explico melhor como funciona a tag e vocês podem conferir aqui:


Enfim, pessoal, nos vemos no próximo post!



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Milenar Literatura Japonesa

 Bem como a história oriental e sua cultura, a literatura japonesa é tida como milenar, pois já ultrapassou pelo menos dois milênios e pode ser dividida em quatro períodos diferentes, além do atual, que seria o quinto.

O primeiro período diz respeito, principalmente, à oralidade, já que ainda não havia forma de escrita. Por isso, é composto por rituais, mitos e lendas, que foram posteriormente reunidos em livros. É no segundo período que nota-se o início da poesia, que se estende até a fase seguinte, quando a prosa começa a aparecer e, ao atingir a maturidade, inaugura a prosa obscena - ou mundana - dando origem ao quarto período.

Já na modernidade, que se estende até hoje, os autores japoneses começam a sofrer influência da escrita ocidental. É neste período em que viveu Yasunari Kawabata, autor de Mil Tsurus, livro sobre o qual falaremos nesta edição.

Kawabata ficou órfão ainda muito pequeno, passando a viver com os avós paternos. Sua avó, no entanto, faleceu quando o menino tinha apenas sete anos. Ao completar 14 anos, Yasunari Kawabata perdeu, também, o avô. Estes tristes acontecimentos fizeram com que ele se mudasse para a casa dos avós maternos, que o matricularam em um internato. Foi nesta época em que Kawabata passou a escrever contos.

Em 1921, Yasunari Kawabata fundou uma revista específica para literatura, a qual deveria abrir espaço para novos autores, que estivessem dispostos a romper com a forma tradicional. Foi nesta revista que Kawabata teve sua primeira publicação, A Dançarina de Izu.

O primeiro romance do autor, O País das Neves, foi publicado em partes, entre 1935 e 1937, sendo foi rapidamente considerado um clássico, além de dar reconhecimento ao autor.

Em 1968, o autor ganhou o prêmio Nobel de literatura. Na ocasião, Kawabata disse em seu discurso que não sentia simpatia alguma pelo suicídio, mas em 1972, veio a se matar.

Ainda nesta edição, falarei sobre o estilo do autor, junto à resenha. Você já leu algum livro do Kawabata?


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Diário de Bordo #1

A nossa décima primeira edição começa hoje com uma novidade. Agora, faremos vídeos mensais contando sobre as nossas leituras no mês que se passou.

O primeiro vídeo já está no ar e vocês podem conferir aqui:


Conta pra gente o que você leu em julho!

E ah! Nos vemos novamente na quarta-feira, neste mesmo bat-canal, com o autor da edição! Então até logo!



quarta-feira, 31 de julho de 2013

Lendo em Um Dia

Andando pelas águas profundas e movimentadas do youtube, as amasianas encontraram diversas TAGs em vlogs literários que as interessaram e, a partir disso, decidiram que irão fazê-las e postá-las periodicamente para vocês!

A tag de hoje foi feita por mim, Mayra, e é bem curtinha e divertida!



Até mais ver!


domingo, 28 de julho de 2013

TOP 5: O que há em comum entre 1984 e as manifestações?

2 minutos de ódio - Cena de 1984

Há mais ou menos dois meses, o Brasil viveu um grande momento histórico: diversas manifestações, que levaram milhões de pessoas para as ruas, estavam acontecendo. Tudo começou através das redes sociais, pedindo a redução da tarifa de ônibus. Entretanto, as coisas não pararam por aí e a situação aumentou em proporções talvez nunca sonhadas para o que estamos acostumados a vivenciar.

Como simpatizante do movimento feminista e fã de 1984 (amo/sou!), comecei a notar algumas características em comum entre a história narrada por George Orwell e tudo que vivemos. É sobre isso que falarei nesse post.

01. A Mídia

A imprensa fez papel de mocinha e vilã no que diz respeito a informar sobre as manifestações. A princípio, como veículos conservadores, se posicionavam totalmente contra e chegavam a chamar os manifestantes de vândalos - situação extremamente criticada, pois, no mesmo momento, a Turquia passava por protestos e em cada notícia que se lia, todos os ativistas eram tratados como... ativistas! Em apenas alguns dias os grandes meios de comunicação se reposicionaram e estavam a favor dos movimentos, simplesmente porque era conveniente.

Em 1984, a imprensa altera informações todos os dias. Manipula, reescreve, edita. É, afinal, uma forma conveniente de colocar a população ao seu lado, de conquistar a confiança do povo, de fazê-los acreditar que tudo que era noticiado era exatamente a realidade.

02. O Governo

O Governo é aquele que deve ser idolatrado. Que expõe inimigos, que bradam, orgulhosos, as mudanças que trazem ao povo, expondo dados e sorrisos, que faz questão de ficar quieto num canto enquanto seus adoráveis cidadãos urram de ódio à oposição, ao "governo" com o qual se criou guerras.

Colocando seus cidadãos contra um tipo X de governo, automaticamente faz com que eles busquem o tipo Y. Esse tipo, muito provavelmente, é o seu. É o que vai se beneficiar por não saberem distinguir apolítico de antipolítico. É o que vai se beneficiar por saber que cada pessoa com uma brecha, que seja, para ser manipulada, estará automaticamente os colocando em evidência.

03. Os minutos de ódio

No livro, os "2 minutos de ódio" é uma norma do Partido que faz com que todos demonstrem sua raiva e ódio obrigatório contra o inimigo.

Na nossa realidade, talvez o inimigo não estivesse tão claro assim. Logo, cidadãos enfurecidos demonstravam seu ódio a todas as formas de governo. E isso, infelizmente, nos faz voltar ao item 2.

04. Os companheiros

Na obra, uma das pessoas que levaram Winston a acreditar que estava conseguindo, finalmente, enfrentar o Partido e criar sua resistência, era o que chamaríamos no contexto das manifestações de infiltrados. Pessoas que, fingindo ajudar quem se posicionava contra a opressão/os abusos enquanto, na verdade, era só um aliado do Partido.

05. O crime

Pensar.
Sim, pensar.
Cada ato programado para as manifestações, cada atitude para combater os opressores, cada meio de manifestar a indignação, cada "tweet" escrito (o que pode fazer referência ao diário de Winston), enfim. Tudo que vai contra "a ordem", contra o cômodo, contra o que é imposto (e ninguém percebe) é como um crime. E por isso, tão julgado.


Essas são algumas das características que consegui relacionar entre nossas atuais vivências e 1984. Estava pensando nesse post há muito tempo e só não pude detalhar mais porque ando sem meu livro. Ainda assim, espero que possa servir de inspiração ou reflexão para todos - eu inclusa.

Nos vemos na próxima edição? :)


sábado, 27 de julho de 2013

Big Brother is watching you


1984 conta a história de Winston, um homem solitário que vive em Oceania cujo trabalho é alterar documentos públicos e obras literárias, de forma que o Partido apareça sempre como um governo correto e justo.

A vida em Oceania deve ser levada de acordo com as regras e idolatrando o Grande Irmão, ou Big Brother. É dessa obra, inclusive, que a base da ideias dos reality shows surgiram.

Toda atitude suspeita, movimentos inesperados e até mesmo pensamentos contrário à doutrina podem ser (e com certeza serão) considerados crime – e você pode pagar caro por isso. Teletelas são espalhadas por cada parte da “cidade”: ruas, praças e mesmo dentro das casas e quartos de cada um. Por sua vez, as teletelas são responsáveis por levar informação à população e capturar áudio e vídeo a cada pessoa que passa na frente dela, fazendo com que cada micro movimento seja notado.

Em dado momento, Winston desperta para a realidade do sistema do governo em que vive e, por saber de toda sujeira que acontece, incluindo toda manipulação que fazem (ele é responsável por modificar o passado, ou seja, manipular informações e pessoas), acaba cometendo seu primeiro crime: compra um diário para escrever suas memórias e pensamentos, dando um jeito de esconder-se das teletelas e de que ninguém perceba que ele está se rebelando.

1984 é uma obra que prende. Desde o momento em que ele começa a sentir que tem algo errado e a compartilhar seus pensamentos confusos no diário até o momento onde conhece uma comparsa que quer, como ele, mudar a situação de Oceania e fazer o Partido cair.

É genial, inclusive, perceber o quanto diversos detalhes da história podem se encaixar com vários momentos que vivemos, especialmente com as recentes manifestações. 

É sobre isso que falaremos no próximo post.

Mais sobre o universo de 1984? Aqui


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vida e obra: George Orwell

Nascimento e vida:

Pseudônimo de Eric Arthur Blair, George Orwell nasceu em 1903, na Índia, sendo filho de um funcionário britânico e uma francesa. Estudou em colégios tradicionais da Inglaterra, em 1911, quando se mudou para o país. 

Carreira:

Jornalista, crítico e romancista, é um dos mais influentes escritores do século XX. Suas obras são marcadas por uma inteligência fora do comum e por sua consciência profunda das injustiças sociais, além de ser notável a paixão pela clareza da escrita. 

Orwell se dedicou a escrever resenhas, ficção, artigos jornalísticos, crítica literária e poesia, mas é mais conhecido por suas obras "A Revolução dos Bichos" (1945) e "1984" (1949).

Cabe a curiosidade: Juntos, os livros venderam mais cópias do que os dois livros mais vendidos de qualquer outro escritor do século XX.

Morte:

Orwell morreu em Londres vítima de tuberculose, aos 46 anos de idade. Foi enterrado com o simples epitáfio: "Aqui jaz Eric Arthur Blair, nascido em 25 de Junho de 1903, falecido em 21 de Janeiro de 1950". Nenhuma menção foi feita a pseudônimo.


Muitas descrições que ele usa em suas histórias, suas narrações e sua visão de mundo se encaixam totalmente com o que acontece ainda hoje. Suas obras ainda são influência e base quando falamos de sociedade, política e até mesmo imprensa. É maravilhoso conseguir enxergar o mundo através das palavras de Orwell.

E é isso que faremos nessa edição, com a obra 1984.