domingo, 28 de julho de 2013

TOP 5: O que há em comum entre 1984 e as manifestações?

2 minutos de ódio - Cena de 1984

Há mais ou menos dois meses, o Brasil viveu um grande momento histórico: diversas manifestações, que levaram milhões de pessoas para as ruas, estavam acontecendo. Tudo começou através das redes sociais, pedindo a redução da tarifa de ônibus. Entretanto, as coisas não pararam por aí e a situação aumentou em proporções talvez nunca sonhadas para o que estamos acostumados a vivenciar.

Como simpatizante do movimento feminista e fã de 1984 (amo/sou!), comecei a notar algumas características em comum entre a história narrada por George Orwell e tudo que vivemos. É sobre isso que falarei nesse post.

01. A Mídia

A imprensa fez papel de mocinha e vilã no que diz respeito a informar sobre as manifestações. A princípio, como veículos conservadores, se posicionavam totalmente contra e chegavam a chamar os manifestantes de vândalos - situação extremamente criticada, pois, no mesmo momento, a Turquia passava por protestos e em cada notícia que se lia, todos os ativistas eram tratados como... ativistas! Em apenas alguns dias os grandes meios de comunicação se reposicionaram e estavam a favor dos movimentos, simplesmente porque era conveniente.

Em 1984, a imprensa altera informações todos os dias. Manipula, reescreve, edita. É, afinal, uma forma conveniente de colocar a população ao seu lado, de conquistar a confiança do povo, de fazê-los acreditar que tudo que era noticiado era exatamente a realidade.

02. O Governo

O Governo é aquele que deve ser idolatrado. Que expõe inimigos, que bradam, orgulhosos, as mudanças que trazem ao povo, expondo dados e sorrisos, que faz questão de ficar quieto num canto enquanto seus adoráveis cidadãos urram de ódio à oposição, ao "governo" com o qual se criou guerras.

Colocando seus cidadãos contra um tipo X de governo, automaticamente faz com que eles busquem o tipo Y. Esse tipo, muito provavelmente, é o seu. É o que vai se beneficiar por não saberem distinguir apolítico de antipolítico. É o que vai se beneficiar por saber que cada pessoa com uma brecha, que seja, para ser manipulada, estará automaticamente os colocando em evidência.

03. Os minutos de ódio

No livro, os "2 minutos de ódio" é uma norma do Partido que faz com que todos demonstrem sua raiva e ódio obrigatório contra o inimigo.

Na nossa realidade, talvez o inimigo não estivesse tão claro assim. Logo, cidadãos enfurecidos demonstravam seu ódio a todas as formas de governo. E isso, infelizmente, nos faz voltar ao item 2.

04. Os companheiros

Na obra, uma das pessoas que levaram Winston a acreditar que estava conseguindo, finalmente, enfrentar o Partido e criar sua resistência, era o que chamaríamos no contexto das manifestações de infiltrados. Pessoas que, fingindo ajudar quem se posicionava contra a opressão/os abusos enquanto, na verdade, era só um aliado do Partido.

05. O crime

Pensar.
Sim, pensar.
Cada ato programado para as manifestações, cada atitude para combater os opressores, cada meio de manifestar a indignação, cada "tweet" escrito (o que pode fazer referência ao diário de Winston), enfim. Tudo que vai contra "a ordem", contra o cômodo, contra o que é imposto (e ninguém percebe) é como um crime. E por isso, tão julgado.


Essas são algumas das características que consegui relacionar entre nossas atuais vivências e 1984. Estava pensando nesse post há muito tempo e só não pude detalhar mais porque ando sem meu livro. Ainda assim, espero que possa servir de inspiração ou reflexão para todos - eu inclusa.

Nos vemos na próxima edição? :)


Um comentário: